Terça-feira, Novembro 20, 2007

Crime e Castigo - II

— Não existem? Acha? — continuou Svidrigáilov, olhando atentamente para ele. — Então, se raciocinarmos assim (ajude-me cá): «Os fantasmas são, por assim dizer, pedaços e fragmentos de outros mundos, elementos desses mundos. Um homem saudável, evidentemente, não tem nada que os ver, porque o homem saudável é o mais terreno dos seres e, por conseguinte, tem de viver unicamente a vida terrena, em prol da plenitude e da ordem. Porém, mal adoeça, mal se perturbe a ordem normal terrena do seu organismo, começa a manifestar-se a possibilidade de outro mundo, e quanto mais doente a pessoa for, tanto maior o seu contacto com o outro mundo; assim, quando morrer definitivamente, passará directamente para outro mundo.» Há muito que reflicto sobre isto. Quem acreditar na vida do além terá de aceitar também este raciocínio.
— Não acredito na vida do além — disse Raskólnikov.
Svidrigáilov continuava pensativo.
— E se lá houver apenas aranhas ou qualquer coisa do género... — disse de repente.
«Um maluco»
— pensou Raskólnikov.
— Imaginamos sempre a eternidade como uma ideia impossível de compreender, uma coisa enorme, enorme! Mas, porquê obrigatoriamente enorme? Quem sabe se, em vez disso tudo, só existe lá um pequeno recinto, do género dos banhos de aldeia, coberto de fuligem e com aranhas por todos os cantos, e se toda a humanidade não passa disso? Por acaso, imagino de vez em quando algo deste género.

F. DOSTOIÉVSKI,
Crime e Castigo, Editorial Presença, 4ª edição, Lisboa, Janeiro 2006, págs. 272-273.

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Crime e Castigo - I

— Verdade, não se admite mais nada! — interrompeu Razumíkhin com ardor. — Não estou a mentir!... Posso mostrar-vos os livros deles: a propósito de tudo e de nada dizem que «a culpa é do ambiente social» e mais nada! É a frase preferida deles! E a partir daí concluem que, com uma organização normal da sociedade, todos os crimes desaparecerão de vez, porque já não haverá motivos para protestar e toda a gente se tornará justa num instante. A natureza não é tomada em conta, a natureza é excluída, a natureza fica sem razão de ser! Para eles, não é a humanidade que, no seu desenvolvimento histórico e natural, até ao fim, se transformará numa sociedade normal, mas o contrário: o sistema social, saído dalguma cabeça matemática, é que organizará como é devido a humanidade e, num ápice, a tornará justa e inocente... [...] A alma viva exigirá a vida, a alma viva não obedecerá à mecânica, a alma viva é desconfiada, a alma viva é retrógrada! Mas a deles, embora cheire a cadáver e seja feita de borracha, tem a vantagem de não ser viva, não ter vontade própria, ser servil, não se revoltar! Resulta daqui que eles resumem tudo à alvenaria dos tijolos somada à disposição dos corredores e dos quartos no falanstério! [...]

F. DOSTOIÉVSKI, Crime e Castigo, Editorial Presença, 4ª edição, Lisboa, Janeiro 2006, págs. 241-242.

Quinta-feira, Fevereiro 16, 2006

Experimenta o seguinte:

fecha os olhos na rua. Quando fores contra alguma coisa… não. Se alguma coisa vier contra ti é um carro, mas se fores contra alguma coisa… NÃO! Se te doer entre as pernas é porque esbarraste com um poste, tem que ser substancial! Tem que ter massa e volume!... sim quando fores contra uma coisa assim, é a Arquitectura!

Quarta-feira, Janeiro 25, 2006

reitero displicentemente


Não olvidemos nunca jamais um dos nobres princípios deste blog, algo que eu sinto ter vindo a acontecer em tempos recentes...
Fala-se em dar vida, em novas ordens mundiais... bah!
a verdade é que... O LAMEIRO É UM CÓCÓ!!

Sábado, Janeiro 21, 2006

Uma nova ordem mundial



Este planeta precisa de sangue novo. De gente disposta a trocar a foice e o martelo pelo machado e enfrentar o gigante laxista que domina o inconsciente colectivo. Vamo-nos sentar e esperar que apareça essa gente, então.

Quinta-feira, Janeiro 19, 2006

« DAR VIDA A ESTE BLOG »

BEM... Parece que voltamos a ter necessidade de discutir assuntos de imensa importância, não só para nós, como para muitas pessoas neste nosso mundo??..Quando este blog era lido, ( e escrito)... víamos as pessoas felizes na rua.. cheias de alegrias... é para voltarmos a viver estes tempos de felicidade que deixo aqui umas piquenas sugestões de leitura para todos os que se interessam por arquitectura e artes em geral........ LEIAM!!!!!







Terça-feira, Outubro 25, 2005

o Lameiro é um cócó

o Lameiro é um cócó
o Lameiro é um tótó
sempre que abre a boca cheira mal
acho que ele devia levar um estal

o Lameiro é cinzentão
o Lameiro é bimbalhão
ele nao gosta de usar a forma nem a cor
deve ser tudo falta de amor

o Lameiro é um chato
o Lameiro cheira a pato
nao experimenta nem desconstrói
é um anormal que até dói!